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11.07.2008
Roberto Bellini

O mineiro Roberto Bellini, 28 anos, foi um dos dez artistas selecionados na Bolsa Iberê Camargo 2007, para receber destaque na Revista Digital. Roberto apresentou o projeto 56 pinos para ser desenvolvido no Blanton Museum of Art / Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos.

A Bolsa para Roberto de certa forma seria uma continuidade de seu trabalho na Universidade do Texas. Durante a faculdade na Escola de Belas Artes, da UFMG, o artista foi selecionado e fez um ano de intercâmbio em Austin. Após a sua graduação, voltou para lá para fazer o mestrado no departamento de Transmedia.

O trabalho de Roberto começou com desenho. Em 2000, o artista fez a exposição Ponto, Linha e Plano, em parceria com Rodrigo Borges, com quem faz projetos até hoje. “Persegui esse caminho do desenho até 2001, quando concebi uma coletiva com mais três artistas (Rodrigo Borges, Susana Bastos e Juliana Freire) chamada Resposta. Nessa exposição, criamos um dispositivo no qual cada trabalho proposto por um dos artistas recebia uma ‘resposta’ em outro trabalho de outro artista. Essa exposição foi importante para mim, porque dentro desse dispositivo me senti mais livre para explorar diferentes técnicas, uma vez que era o diálogo que ditava por onde o trabalho deveria ir e não minha própria pesquisa. Acabei trabalhando com som e fotografia, além de desenho”, conta.

Na seqüência, Roberto foi pela primeira vez para Austin, período em que se dedicou ao vídeo. Quando voltou para a Universidade para cursar o mestrado, continuou sua pesquisa. “No início, o ponto principal da minha pesquisa foi criar um relacionamento com a câmera. Como nunca tive uma formação de cinema nem era cinéfilo, tive que pensar e pesquisar bastante para entender coisas básicas do que significa filmar algo. Vi muitos documentários e comecei a me identificar com artistas que faziam trabalhos não apenas visuais, mas trabalhavam com um contexto social, e a câmera dentro desse contexto. Procuro nos meus trabalhos sempre explorar uma imagem, em que esteja implícito nela a sua própria origem, que revele uma pouco de como foi criada. Me inspirei bastante em algumas idéias relacionadas ao cinema direto, mais nessa consciência da câmera como um objeto que interfere, mas sem a utopia de uma realidade capturada com isenção”, explica.

Grande parte da produção em vídeo de Roberto foi feita nos Estados Unidos. É o caso de Teoria da Paisagem , 2005, um vídeo de 4 minutos, em que se vê uma paisagem enquanto ouve-se um diálogo entre o artista e uma pessoa que vem perguntar a ele porque está filmando a paisagem. “É um breve discurso sobre a possibilidade de contemplação, a política do olhar e autoridade”, explica. Também é dessa época Como as coisas funcionam, em que o artista trabalha com borracha, metal e carne, buscando o tema da cultura tecnológica.

Outros trabalhos tiveram partes feitas no Brasil, como por exemplo Pelo Vidro, de 2007, em que várias imagens poéticas são apresentadas em seqüência. “É uma série de encontros visuais que revelam uma reflexão poética sobre o tempo, a contemplação e a distância imposta pela câmera”, conta Roberto. Já Intervalo, de 2005, foi totalmente filmado no Brasil e mostra uma seqüência de momentos de pessoas tomando um copo ou uma xícara de café.

A narrativa nem sempre está presente no trabalho de Roberto e não chega a constituir-se numa preocupação para o artista. “Nunca parti de uma narrativa para realizar um trabalho. Ela surge a partir de situações. Acho que questão da paisagem continua sendo forte fio condutor do meu trabalho. Continuo buscando imagens, esculturas, situações que revelam um pouco de nossa relação com o mundo e o ambiente, como o modificamos, e como o manipulamos novamente ao realizar um trabalho”, explica.

Desde 2007, Roberto está vivendo novamente no Brasil. “Nesse momento pós-mestrado e Estados Unidos acho que estou redescobrindo como trabalhar aqui no Brasil”, afirma. No dia 4 de julho, o artista inaugurou no Palácio das Artes em Belo Horizonte, uma nova edição da exposição Resposta. “São os mesmos artistas agora em diferentes estágios de suas carreiras e pesquisas, passando pelo mesmo dispositivo de perguntas e respostas. Está sendo interessante porque novamente me concedo a liberdade para trabalhar em outros meios. Estou apresentando uma videoinstalação, duas esculturas e uma instalação sonora”, finaliza Roberto.

Os vídeos de Roberto podem ser vistos em seu site e clicando aqui.
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