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Desenhar no Espaço Os brasileiros Os venezuelanos
 
     No dia 29 de julho, a Fundação Iberê Camargo abriu mais uma exposição: Desenhar no Espaço - artistas abstratos do Brasil e da Venezuela na Coleção Patricia Phelps de Cisneros, com curadoria de Ariel Jiménez. Segunda mostra internacional apresentada na instituição em 2010, trata de uma etapa crucial no desenrolar dos movimentos abstracionistas nos dois países, em um período que se inicia no final da década de 1940 e segue até os anos 1970.

“Impelidos pelas carências da época, alguns dos melhores artistas sentiram a necessidade de trabalhar fora dos limites tradicionais das artes – ou seja, no próprio espaço e na cidade”, explica o curador. Jiménez procurou evidenciar de que modo cada um dos nomes presentes na exposição se inscreve em uma determinada história, tanto no plano nacional quanto no ocidental – embora esta busca por “liberação” das concepções de obra vigentes no período tenha transcendido a própria produção dos artistas, assim como os diversos contextos nacionais ou regionais nos quais atuaram. Ela faz parte de um processo geral de abertura, que foi crescendo com as cidades, se intensificando com os conflitos sociais e que alcançou o apogeu logo após a Segunda Guerra Mundial, inserindo os artistas da América Latina. “Justamente entre as décadas de 1940 e 1970, esse fenômeno urbano alcança, tanto no Brasil como na Venezuela, essa densidade crítica que requer dos artistas – pelo menos daqueles a isso sensíveis – uma mudança nas estratégias plásticas”, contextualiza o curador.

Assim, a curadoria traça uma comparação entre os dois países não em função de uma suposta essência nacional, mas sim na tentativa de fazer evidenciar as peculiaridades de cada um. Na mostra, estão reunidas 88 obras dos venezuelanos Gego, Alejandro Otero, Jesus Soto, Carlos Cruz-Diez e Hércules Barsotti e dos brasileiros Willys de Castro, Lygia Clark, Mira Schendel, Hélio Oiticica e Judith Lauand. Segundo Jiménez, estes são alguns dos nomes mais importantes das artes na segunda metade do século 20, pois foram justamente os que responderam a esse chamado de abertura que emergia das grandes cidades.


Salas Educativas

Com o objetivo de oferecer uma ferramenta educativa que permita ao público acessar os processos e poéticas dos artistas presentes na exposição, o Programa Educativo da Fundação Iberê Camargo, juntamente com a equipe educativa da Fundação Cisneros, concebeu as Salas Educativas. Elas estão localizadas em espaços contíguos às salas da exposição, e apresentam obras interativas de caráter educativo, nas quais o visitante terá a oportunidade de, através da manipulação, compreender processos e operações conceituais e formais realizadas por artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Alejandro Otero, Jesús Soto, Mira Schendel e Gego. Desta forma, espera-se que o público experimente e vivencie tais processos, que implicam na transcendência dos suportes tradicionais das artes plásticas, como a pintura e a escultura, para situações onde a arte se projeta no espaço real, convocando o espectador a um papel ativo - exercício fundamental para a significação da produção artística abstrata na Venezuela e no Brasil.


Desenhar no Espaço fica aberta para visitação de 30 de julho a 31 de outubro de 2010, de terça a domingo das 12h às 19h, e quinta das 12h às 21h. A Fundação Iberê Camargo fica na Avenida Padre Cacique, 2000, em Porto Alegre.



Conheça os artistas brasileiros e venezuelanos na exposição.




Acima: Lygia Clark, Composição Nº5, 1954.
 
 
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