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Paisagens de Dentro Texto da curadora
 
     Inaugurada no final de 2009, a Fundação Iberê Camargo exibe mais uma exposição de seu Acervo: Paisagens de Dentro. Com curadoria de Icleia Borsa Cattani, a mostra olha para as paisagens produzidas pelo artista, ainda pouco estudadas. Indo desde o início de sua carreira até as últimas décadas, mostra paisagens geradas a partir do interior de seu sistema de signos e do interior de si mesmo.

Segundo a curadora, o tema era recorrente no início da carreira de Iberê, entre as décadas de 1930 e 1950. Posteriormente, retornou nas pinturas mais recentes, mas sem tratar mais de uma representação de locus específico, e sim de um olhar para dentro. “Retomada e inovação, simultaneamente, signo e figura. Abstração do visível, projeção dos fantasmas. Utopia trágica”, escreve Icleia.

Foi depois de 1980 que o artista retornou, aos poucos, à figuração, colocando imagens e signos não figurativos no mesmo espaço de representação. Com o passar dos anos, as figuras foram predominando, e a paisagem retornou – mas sem vínculos com imagens reais. “Trata-se de seres que representam a condição humana e que criam espaços à sua medida”, argumenta a curadora. Em seus últimos anos de vida, Iberê muitas vezes retratou as paisagens em suas pinturas por meio de uma simples linha do horizonte, que delimitava céu e terra. “Nas telas dos anos 90, as paisagens parecem ser geradas de dentro. De dentro do próprio pintor, de dentro dos corpos humanos presentes nas telas; como se fossem criadas à sua medida. Essa característica é notável até a sua última tela, Solidão”, destaca Icleia.

Paisagens de Dentro fica em cartaz até 5 de setembro de 2010, no quarto andar da sede da Fundação, que fica na Av. Padre Cacique, 2000, em Porto Alegre. A entrada é franca.


Acima, Núcleo, 1963.
 
 
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