 |
|
 |
 |
MEMÓRIA DESCRITIVA - Álvaro Siza
| 1. |
Pretende a Fundação Iberê Camargo construir um edifício para arquivo e exposição da sua colecção. O terreno disponível confina a Norte com a Avenida Padre Cacique e a Sul com uma escarpa compreendida entre as cotas 5 e 24. |
| 2. |
O programa proposto inclui áreas de exposição, depósitos, biblioteca e videoteca, livraria, cafetaria, pequeno auditório e áreas de administração e de oficinas artísticas.
A base do edifício é constituída por uma plataforma longa, elevada 1,40m em relação à Avenida, sob a qual se situa uma parte das áreas do programa. Esta plataforma é acessível a partir do passeio da Avenida através de rampa com 8% de pendente.
O volume principal recorta-se contra a vegetação da escarpa, ocupando uma sua concavidade, e resulta da sobreposição de quatro pisos de forma irregular, incluindo o rés-do-chão à cota da plataforma. Este volume é limitado por paredes rectas e quase ortogonais (a Sul e a Poente) e por uma parede ondulada (a Norte e a Nascente).
|
|
|
| 3. |
Esta parede limita a toda a altura do edifício o espaço do átrio de acesso, o qual é rodeado, no restante perímetro, pelas salas de exposição (uma seqüência igual, nos três pisos superiores, de três salas de diferente dimensão) e pela recepção, vestiário e livraria no rés-do-chão. Não se diferenciam os espaços destinados a exposições temporárias e permanentes, optando-se por uma flexibilidade apropriada à tendência de funcionamento actual dos museus (o acervo do museu dá origem ele próprio a exposições temporárias de diferente temática).
Os acessos verticais (dois ascensores e duas escadas) situam-se em cada uma das extremidades da seqüência de salas de exposição. Incluem ainda um sistema de rampas, de pendente entre 8 e 9%, cujo desenvolvimento se processa em parte no interior do espaço do átrio e em parte no exterior, constituindo galerias fechadas, rodeando o volume do edifício, abertas pontualmente por pequenas janelas sobre a belíssima paisagem e por lanternins.
O acesso para carga e descarga é garantido por uma via de perfil e de raios de curvatura apropriados ao acesso de veículos de transporte, a qual ocupa o espaço livre entre o edifício e a escarpa a Norte. A plataforma abrigada para carga e descarga dá acesso directo a um monta-cargas de 4,80 X 3,85m e de 4m de altura.
|
| 4. |
Distribuição pormenorizada do programa no piso semi-enterrado
Este piso é acessível por rampa no topo Nascente da construção. As várias divisões distribuem-se ao longo de uma galeria de 2m de largura, a qual interliga a entrada Nascente e os dois blocos de escadas e ascensores, situados no interior do volume principal do edifício:
salas de oficina artística com aberturas sobre a escarpa a Norte
administração com iluminação a partir de dois pátios, respectivamente a Nascente e a Poente
biblioteca e videoteca com iluminação através de um pátio a Nascente
depósitos com ligação directa ao monta-cargas
Os volumes das divisões destinadas à oficina artística elevam-se em relação à plataforma superior, atingindo um pé direito de 7,50m, e permitindo a existência de um dúplex.
A cafetaria situa-se sobre a área de administração e é acessível por escada interior e directamente a partir da plataforma superior.
|
| 5. |
Iluminação nas zonas de exposição
As salas de todos os pisos poderão estar abertas sobre o espaço do átrio, ou encerradas por painéis amovíveis até à altura de 4m, permitindo a entrada da luz natural a partir do átrio e entre essa altura e o tecto.
As salas do último piso recebem luz natural e artificial através do lanternim constituído por duplo envidraçado com acesso intermédio para limpeza e regulação de luz. A iluminação artificial das salas dos restantes pisos é indirecta, a partir de projetores não visíveis, colocados sobre plataformas suspensas do tecto.
O espaço do átrio recebe luz por lanternim situado no terraço e por aberturas ao exterior na parede ondulada. Estas aberturas, das quais se apresenta esquematicamente a expressão, serão oportunamente estudadas e calculado o grau de iluminação conveniente.
|
| 6. |
Materiais
Basicamente o edifício será construído com lajes e paredes em betão armado, exteriormente aparente, sendo o cimento brando e a cofragem constituída por painéis metálicos ou em fibra.
As paredes exteriores serão duplicadas por paredes em tijolo, formando caixa de ar termicamente isolada e com a dimensão necessária à passagem das diferentes instalações.
Nos acabamentos interiores do edifício utilizar-se-á fundamentalmente o mármore, a madeira e o estuque.
As esquadrias serão em madeira e latão.
|
|
|
| |
|
 |