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A Fundação Iberê Camargo inaugurou em maio de 2008 sua nova sede, primeira edificação do arquiteto português Álvaro Siza no Brasil. O projeto, que recebeu o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002, configura-se como um referencial arquitetônico não apenas para a cidade de Porto Alegre, como também para o Brasil.

A Fundação conta com uma área total de 8.250m², construída em um terreno doado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, às margens do Guaíba. Primeira no País a utilizar concreto branco aparente, armado em toda a sua extensão, a construção não utiliza tijolos ou elementos de vedação. Além do impacto plástico, o material oferece alta durabilidade e baixa manutenção. Desenvolvido pela construtora Camargo Corrêa em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos vencedores do 3º Prêmio de Tecnologia e Construtividade, criado pela UN Infra-estrutura.

Dispondo de nove salas de exposições distribuídas ao longo de três pavimentos, além de um grande espaço no primeiro andar, o prédio tem o total de cerca de 1.300m² disponíveis para a mostra de pinturas, gravuras e desenhos. Além desses espaços, conta com o Centro de Documentação e Pesquisa, a Reserva Técnica, um auditório com 100 lugares, uma cafeteria, uma loja e um estacionamento subterrâneo para 100 carros – localizado sob a via pública, em área cedida em comodato pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Dois ateliês também atendem a demanda da Fundação: um deles é dedicado à gravura ed o outro está destinado a atividades do Programa Educativo.

A sede abriga mais de quatro mil obras de Iberê Camargo. O acervo é formado pela Coleção Maria Coussirat Camargo, constituída por pinturas, gravuras, desenhos, guaches e diversos estudos. Há, ainda, um acervo documental onde estão fotos, cartas, slides e cadernos de notas de Iberê. O Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura, que leva nomes da contemporaneidade a criarem trabalhos na técnica de gravura em metal, também vem gerando uma importante coleção de obras de outros artistas para a Fundação.

Com o objetivo de ser um centro difusor da arte moderna e contemporânea, a Fundação realiza exposições das obras de Iberê Camargo e de artistas do País e do exterior, funcionando como um centro cultural em que são realizados cursos, mostras temporárias, seminários e estudos sobre a produção artística contemporânea.

O projeto também é ambientalmente responsável: visando a recuperação da paisagem original existente nas encostas do terreno (12.000m² de área verde, cedidos formalmente pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente à Fundação, que a adotou), o consumo de energia é baixo, a água da chuva é reutilizada nos banheiros e uma pequena estação de tratamento de efluentes faz o tratamento dos resíduos sólidos e líquidos no próprio local. A água resultante do processo serve para regar a vegetação. Na encosta, uma trilha ecológica com identificação de espécies nativas será aberta ao público em parceria com a Fundação Gaia.

Projetada de acordo com padrões internacionais, a Fundação segue rígidas normas de conservação e segurança das obras, além de atender aos critérios de acessibilidade, disponibilizando, inclusive, cadeiras de rodas para os visitantes. O ingresso é gratuito, coberto pelos patrocinadores.


 
 
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