 |
|
 |
| |
SEGUNDA PROPOSTA
a) Apresente a reprodução de Auto-retrato:
O professor pode avaliar a adequação desta
proposta para os seus alunos, prestando atenção
às respostas às suas questões iniciais:
- O que vocês podem falar sobre esta imagem?
De que trata o quadro?
Os alunos poderão mencionar tópicos como:
"pinceladas rústicas", "algo confuso",
"sensação de medo", ou até:
"seguindo vários caminhos, linhas que se
sobrepõem, como histórias já vividas,
cicatrizes, mas ao mesmo tempo de brava sabedoria",
etc., conforme contextos diferenciados.
|

Auto-retrato,
óleo s/ tela, 35 X 25 cm, 1984.
Coleção Maria Camargo,
Fundação Iberê Camargo
|
 |
Os adolescentes
começam a pensar que a obra é o resultado
da transferência dos sentimentos ou humores do artista:
"Se ele estava triste, a obra também o será".
Mais tarde apresentam uma concepção mentalística
da arte, isto é, concebem a arte como resultado
da intenção da mente do artista e não
mais como o resultado de seus humores, nem como cópia
da realidade. Nesta concepção o importante
na obra é a expressividade, tanto da obra como
do artista. Aqui o professor pode enfocar o caráter
da linha, da forma, da cor, enfim, dos elementos formais,
que permitiram ao pintor a expressão de suas idéias
e sentimentos. Ao julgar a obra, o aluno vai considerar
se a imagem conseguiu expressar isto ou aquilo, e não
mais se houve habilidade em copiar o real.
Neste caso, o diálogo pode seguir uma linha
mais subjetiva e abstrata, como:
- O que podemos falar sobre esta imagem? Que sentido
você vêem aqui?
- Esta obra trata de um auto-retrato como o artista
se via, objetivamente, no espelho? Como se pode ver
isto? Alguém discorda? Por quê?
- Você vêem algum sentimento nesta obra?
Quais? Onde se pode ver isto? Quem concorda?
- É uma boa imagem? Por quê? Seria melhor
se fosse bem realista?
- Mudaria valor da obra, se fosse pintado à maneira
fotográfica? Por quê?
- E o sentido mudaria, se fosse pintado à maneira
fotográfica? Por quê?
- O que é mais importante na obra: o que ela
representa, objetivamente, do mundo, ou o que ela expressa
sobre emoções, sentimentos, mensagens?
|
Com a
posse do pensamento abstrato, os adolescentes podem transcender
a concretude do que está representado na imagem,
para interpretar metaforicamente. Estes tipos de questões
lhes permitem colocar em ação o pensamento
abstrato, proporcionando um acréscimo no nível
de abstração e portanto, de sofisticação
e complexidade na interpretação.
A posse do pensamento abstrato pode ser percebida quando
o aluno usa substantivos abstratos na interpretação.
É um pensamento que considera que o artista está
usando um dado elemento como símbolo de outra
coisa, a qual não está fisicamente, concretamente,
representada na imagem. Neste momento é importante,
por exemplo, o professor discutir a possibilidade de
Iberê estar demonstrando dúvidas sobre
sua própria identidade no "cobrir e recobrir
de matéria pictórica os seus traços
fisionômicos" (ver Poster Book). As metáforas,
que o artista usa, podem ser interpretadas, levando
a uma compreensão mais madura e adequada da arte.
Como proposta de produção o professor
deve aproveitar o que foi discutido com mais ênfase,
na leitura da imagem. Uma sugestão é partir
de algumas idéias estéticas de Iberê
Camargo, capturadas nos textos disponíveis no
site, que explicitam seu pensamento, o qual nunca buscou
a beleza sensorial, ideal, e sim "o ideal de uma
verdade pungente e sofrida que é a minha vida,
é tua vida, é nossa vida, nesse caminhar
no mundo." Conforme as condições
dos alunos pode-se relacionar as idéias estéticas
de Iberê com outros artistas expressionistas,
que buscam, antes de retratar o aspecto físico
e exterior do modelo, penetrar sua alma para perpetuá-la
na pintura.
Assim, uma proposta poderá ser a realização
de um auto-retrato, tendo como objetivo, não a
representação da aparência externa
do aluno, mas de sua subjetividade; daquilo que não
é visível ao olho, mas que pode tornar-se
visível na arte. |
|
|
| |
|
 |