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  José Resende

Minha relação com a gravura era uma memória longínqua de minha primeira aproximação com a possibilidade de produzir arte. Convidar-me para ocupar o atelier do Iberê e ter o privilégio da parceria com o Eduardo, para ali repor no presente o encanto dessa primeira decisão pela profissão, foi para mim uma inevitável reverência e agradecimento aos ensinamentos do próprio Iberê, exemplo impar de uma persistente convicção na verdade da Arte que sua obra confirma do começo ao fim.


  Mario Carneiro

Eu chego aqui e fico cheio de lembranças, eu olho as coisas todas... Para mim tem um lado ninho, de acolhimento. Eu me sinto muito bem aqui. Fui muito bem recebido. Eu sinto o Iberê por todos os lados, a presença dele... Dá muitas saudades, claro, mas eu tenho que conviver com isso. E as pessoas daqui são um prolongamento de Iberê: o Eduardo, o Marcelo, a Maria nem se fala. Eu olho para a Maria e volta toda uma vida.


  Paulo Pasta

A primeira coisa legal é que estou trabalhando com o Eduardo e com o Marcelo, e fazia tempo que eu não tinha isso, eu fico muito sozinho no ateliê. E, eu gostei, você fica mais produtivo. Eu fiz umas 50 monotipias, como uma maneira de destravar, de ir aquecendo, de ir arrumando uma possibilidade. No final, gravamos uma chapa colorida. Depois de ter gravado essa chapa, eu fiquei com muita vontade de ter mais uma semana aqui para sei lá, como eu fiz 50 monotipias, fazer pelo menos umas dez chapas gravadas. Eu gostei, gostei da cor impressa, gostei da sobreposição das cores.


  Rochelle Costi

Gravura era algo inédito para mim. Como em meu processo sempre recorro a situações e oportunidades encontradas,  procurei não levar argumentos daqui, mas recolhê-los em Porto Alegre. Hospedada em plena Duque de Caxias, desci para as lojinhas, velhas conhecidas do Viaduto da Borges, a cata de objetos planos de metal que pudessem me servir como elementos de uma composição. Em uma loja de artigos para umbanda, encontrei chapinhas metálicas recortadas, representativas de instrumentos/oferendas para Orixás. Levei, então, ao atelier, onde fiz testes incansáveis com Eduardo, que acolheu com muito animo meus argumentos. Parti, então, para uma busca geral em lojas do gênero, passando várias vezes pela esquina democrática, onde em tantos finais de tarde encontrei Iberê, que agora me fazia retornar àquele tempo. Estar em seu atelier, ter a honra da visita de Dona Maria, utilizar o espaço onde ele trabalhou, conferem à experiência um outro sentido, uma camada mais densa nas tantas possibilidades que a gravura em metal e o projeto oferecem.


  Waltercio Caldas

As imagens e as gravuras sucederam-se com uma naturalidade espantosa. Parecia que tudo ali conspirava a favor das coisas impressas. Diverte-me a idéia de pensar que Iberê sabia disto e exercia com imenso prazer aquela atividade. Eduardo e Marcelo [ambos trabalham no Ateliê de Gravura da Fundação] foram cúmplices perfeitos na minha tentativa de imprimir sombras, linhas, cores e palavras. O resultado foram alguns ‘objetos de papel’. Minha expectativa estava cumprida, e a experiência foi fabulosa.


 
 
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