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Em 1982, o artista retorna a Porto Alegre, e fixa seu ateliê na Rua Lopo Gonçalves. "No Rio Grande do Sul estou no colo da mãe." (p.17, Lagnado) Iberê passa a freqüentar o Parque da Redenção, próximo à sua residência, onde observa os ciclistas.
Em 1984 encontram-se os registros dos primeiros ciclistas. Essas "criaturas" (segundo Ronaldo Brito) ressurgem em sua obra até 1994 (ano de seu falecimento), transfiguradas em bicicletas abandonadas. "Esses [os ciclistas] são caminhantes, no fundo, sem meta. São seres desnorteados." (p.30, Lagnado)
Na obra No tempo, de 1992, acontece um encontro entre os ciclistas, os tons terrosos que remetem ao passado e os carretéis. E, nessa confluência do passado com o presente, Iberê percebe uma relação inconsciente entre as rodas das bicicletas e aquelas dos trens da estação ferroviária de Restinga Seca, onde seu pai trabalhava. "Me parece que minha pintura sempre procura resgatar o passado, reencontrar as coisas que foram soterradas e ficaram perdidas no pátio. [...] Foi assim que eu percebi que a roda de minhas bicicletas parecia com a roda da locomotiva." (p.40, Lagnado)
E, como artista e obra se confundem (assim como vida e obra), Iberê percebe-se também como ciclista: "Como meus ciclistas, cruzo desertos e busco horizontes que recuam e se apagam nas brumas da incerteza. Realidade e miragem se confundem." (p.54, Lagnado)
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Mulher de bicicleta
1989
39,5 x 56,5 cm
Óleo sobre tela
Coleção Maria Coussirat Camargo | Fundação Iberê Camargo | Porto Alegre
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Ciclista
1990
200 x 155 cm
Óleo sobre tela
Coleção Maria Coussirat Camargo | Fundação Iberê Camargo | Porto Alegre
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