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Mesa com cinco carretéis,
óleo s/ tela, 100 X 62 cm, 1959.
Coleção viúva general Joaquim Luiz
da Silveira |
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O carretel era o brinquedo
de infância de Iberê. Era o objeto encontrado
na caixa de costura da mãe e que ganhava personalidade
através da imaginação do garoto.
Durante muito tempo, ele serviu às brincadeiras
do menino, e durante tantos outros anos, manteve-se submerso
no fundo do rio de suas memórias. Só foi
emergir em 1958. Nesse ano, uma hérnia de disco
obrigou o artista a permanecer deitado, paralisado. Sendo
assim, ele não podia mais sair de casa para pintar
as paisagens de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Fechado
em casa, distante dos atrativos externos, Iberê
reencontrou o carretel em lembranças e estudos
de desenho e gravura. A partir desse momento, o objeto
de madeira passou a ser seu símbolo, signo, personagem
principal de sua trajetória. E a representação
dessa forma bojuda experência várias transformações.
No início,
o carretel aparece fixo e ordenadamente sobre a
superfície de uma mesa. Com o tempo, porém,
essa mesa, que servia de suporte, deixa de existir,
e o carretel, perdendo o que lhe dava sustentação,
ganha movimento. Solto no espaço, multiplicado,
parece-se mais com pandorgas, borboletas. Com o
tempo, o procedimento do artista vai ganhando velocidade
e o desenho referencial do carretel não mais
se distingue. É como se os carretéis,
as massas de antes, se transformassem em energia,
impelidos pela ação da mão
que procura antecipar-se ao próprio pensamento.
Libertos das formas, os Núcleos configuram
a grande experiência abstrata do artista,
embora ele mesmo sempre tenha insistido que não
era um pintor abstrato.
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Dinâmica de carretéis,
óleo s/ tela, 100 X 141,3 cm, 1960.
Coleção Jones Bergamin |
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Figuras em movimento II,
óleo s/ tela, 100 x 141 cm, 1972.
Coleção Jones Bergamin |
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No início dos
anos 70, Iberê inicia seu retorno à figura
e, novamente, ao carretel. É quando surge a série
Desdobramentos. O desdobramento é um conceito antigo
na sua pintura. Desde o surgimento dos carretéis,
o artista já explorava esse conceito de formas
originadas de um signo-matriz. A partir de um conjunto
de elementos reconhecidos como objetos ou figuras - no
caso, carretéis -, Iberê multiplica outros
signos, claramente provenientes desses primeiros. Esse
procedimento marcou a volta do artista ao figurativo,
ao mesmo tempo em que ele passava a incorporar outros
elementos em sua pintura, como a mão humana, o
rosto, o dado - remetendo ao jogo da vida.
O carretel não aparece somente na produção
dos anos 70, mas acompanha o imaginário do artista
até o fim de sua vida. |
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